Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A ILHA DO IBO HISTORICAMENTE MALTRATADA(III)

(Continuação)

 

 

Com a instalação da Colónia Europeia da Baía de Pemba, em 1857 chegaram a Cabo Delgado algumas dezenas de Portugueses. Mas por falta de uma gestão adequada foi sol de pouca dura. [1]
Em 1858 a população de Cabo Delgado, fornecida pelo Gov. interino, João da Cunha Carvalho era a seguinte: 11 996 homens e 11 365 mulheres. 
Neste total de habitantes “ entram indígenas, livres e libertos, europeus, asiáticos e escravos”. Na população da ilha do Ibo estavam incluídos: 11 europeus, 3 filhos de Goa, 23 gentios entre batiás e na ilha Querimba habitavam 3 europeus.
 
 
 
 
Eram, então, já poucos os Portugueses a viver em Cabo Delgado.
 
Anos mais tarde, no seu Relatório de 1787-1888, o governador de Cabo Delgado, Francisco Moura, dava conta da população do Distrito:
Compõe-se o distrito de 29 ilhas, das quais apenas são habi­tadas, permanentemente, as de Quirimba, Matemo, Fumbo e Ibo, e de toda a costa compreendida entre o extremo sul da baia de Lúrio e Cabo Delgado na extensão aproximada de 325 quilómetros.
A vila do Ibo contém uns 130 fogos, além das palhotas, e uma população de 2.500 almas.
A população das ilhas e do litoral do distrito é de 60:000 a 70:000 almas, na qual se compreendem 21 europeus. sendo 16 portugueses, 3 ingleses e 2 franceses ; e 148 asiáticos, sendo 37 súditos portugueses e 111 ingleses.
 
Apenas viviam no Distrito 37 Portugueses.
 
No ano seguinte, o Governador João M.G. Amorim, adiantava no seu Relatório que:
 
(…). Dos registos da secretaria conclui-se que a população europeia se compute de 25 indivíduos, dos quais 20 são portugueses e 5 estrangeiros, e  a população asiática, de 113, dos quais 30 portugueses e 83 estrangeiros; suponho porém que a população asiática é superior, e que varia constantemente no continente sem que o governador possa ter disso exacto conhecimento, devido igualmente á falta já apontada.
 
A escassez de Portugueses continuava. Apenas 20 da Europa.
 
A administração dos territórios de Cabo Delgado passou, na última década do século XIX, do Estado para a Companhia do Niassa, situação que se manteve até 1929, data em regressou à situação anterior.
São conhecidas as dificuldades imposta por Lisboa na deslocação da população metropolitana para as suas Colónias, designadamente, Moçambique. É fictícia a ideia de que, alguma vez, houve uma presença massiva de Portugueses nas terras moçambicanas.
Aqui deixo alguma informação, totalmente, descomprometida de quaisquer conveniências patrióticas ou políticas, cuja finalidade principal é a de contribuir para construção da verdadeira História sobre a presença portuguesa em Moçambique, pertença tanto dos Moçambicanos como dos Portugueses.
Acredito que os responsáveis pelos textos, entidades respeitáveis, que originaram estas breves notas, cujos nomes me dispenso de mencionar, saberão reconhecer e rectificar os erros apontados, de modo a não continuarem a distorcer a realidade dos factos e a não prejudicarem o desenvolvimento do turismo nas terras de Cabo Delgado.
 
FIM


 

 


[1]- A maioria dos dados aqui disponibilizados fazem parte da minha Tese de Doutoramento, As Ilhas de Querimba ou Cabo Delgado. … ., defendida, publicamente, em 1994.
publicado por ilhaskerimba às 19:54
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A ILHA DO IBO HISTORICAMENTE MALTRATADA(II)

(Continuação)

Fortaleza de São João Baptista
 
 
Foto de 1972 de CBento
 
 
 
A total ruína e as fracas possibilidades de defesa que oferecia o forte de São José como consequência da sua má e irregular construção e implantação em terreno arenoso impróprio e das despesas avultadas exigidas para a sua restauração, aconselhavam a "fazer-se antes outro forte novo em terreno melhor para segurança da mesma construção como vantajoso para a defesa dessa Ilha e sua barra do que reparar-se a ruína do velho (...) V.M. proporá a construção de um novo forte no sítio vantajoso ..."[1]. No entanto, anos mais tarde, num novo contexto geo-político, o velho forte de S. José viria a ser reactivado.
De acordo com os novos objectivos, o Governador das Ilhas escolheu o local, desenhou a planta[2] e propôs a construção de uma fortaleza em forma de pentágono regular com as oficinas que devia conter. Esta figura geométrica era a que melhor se acomodava ao terreno; ficava menos dispendiosa à Fazenda Real; defendia os edifícios a construir no seu interior; permitia uma posterior ampliação; e defendia a Vila de "qualquer ataque de Mouros ou Macuas, que é o inimigo com quem presentemente nos defrontamos", para além de recuperar o comércio "nas mãos dos Mouros da Costa e usurpado pelos de Quiloa, Pate, Mombaça e Zanzibar"[3] e dos Europeus, especialmente, dos Franceses.
As obras principiaram em 25/5/1789[4] com a ajuda de oficiais, cabouqueiros e serventes, vindos de Moçambique e por "serventes e gente de picareta que eram soldados, adimos ou cafres forros, e escravos de alguns moradores e do então Governador Tigre"[5], fazendo-se o seu pagamento em milho, aguardente, fato e dinheiro.
Esta fortaleza, dedicada a São João Baptista, padroeiro da ilha do Ibo, foi construída em pedra talhada, extraída localmente[6], tendo no seu interior sido erguida uma capela militar que, depois de ali ser colocada a imagem daquele Santo[7], foi, convenientemente, ornamentada.
Demorando a NO da Vila, assenta em rocha firme, junto ao mar, mede 3,80 metros de altura e 1,36 metros de parapeito e cada uma das 5 estrelas do pentágono tem 50 metros de extensão. A sua área total é de 6 400 metros quadrados.
Dada a sua má construção, poucos anos depois, exigia grandes reparações.
Alguma vez foi queimada pelos Sakalava. Embora, estes piratas do mar tenham estado, no ano de 1815, por três vezes, na Ilha do Ibo, nunca conseguiram tomar a dita Fortaleza. No que respeita aos Holandeses, eles tentaram conquistar a Fortaleza da Ilha de Moçambique, nos anos de 1607 e 1608, datas bem longe de 1789-1794, anos em que decorreu a construção da Fortaleza de S. João Baptista do Ibo.
De igual modo é de questionar como seria possível Vasco da Gama, ir abastecer-se de escravos à dita Fortaleza. O grande almirante português, passou pelas Ilhas de Querimba, em 1 de Abril de 1498, quando, se dirigia para Índia, navegando, por ser enganado pelo piloto árabe, muito perto de uma delas, que passou a ser conhecida por ilha do Açoutado.
 
Também é distorcida e contraditória a afirmação de que “em 1834 chegaram à ilha os primeiros portugueses, na sua maior parte, professores e funcionários”(…) e o “ aumento da população Mwani, no Ibo e em todo o litoral deveu-se ao apogeu da expansão comercial estrangeira que remonta a finais do século XVII e princípios do século XVIII, como resultado da proliferação, em larga escala, do tráfego de escravos, para o qual contribuíram as Ilhas do Arquipélago das Quirimbas e, sobretudo, a Ilha do Ibo e de Quisiva, onde foram montados entrepostos comerciais do chamado negócio negro, assim como à presença massiva dos portugueses entre os séculos XVIII e XIX, depois que a Colónia Ultramarina de Moçambique passou a ser administrada através da Companhia Majestática do Niassa.
 
E antes de 1834 não chegaram portugueses à Ilha do Ibo? E a presença massiva de portugueses no século XVIII?
Algumas linhas sobre as vicissitudes do povoamento das Ilhas de Querimba poderão ajudar a desmistificar estas fantasiosas informações.
Um dos mais significativos e sérios obstáculos levantados à concretização dos desígnios dos Portugueses nas novas conquistas, nomeadamente, nas Ilhas de Querimba, foi, sem dúvida alguma, o problema relacionado com a colonização e suas vertentes demográfica e económico-social. Tornava-se indispensável colonizar, povoar, realizar uma ocupação produtiva, nas palavras de Josué de Castro, transformar as possibilidades geográficas em realidades geográficas[8], com a ajuda de grupos humanos vindos de outras terras. Mas este complexo problema exigia recursos humanos, cujas disponibilidades escasseavam tanto a nível de quantidade como de qualidade, necessários para consolidar a conquista política, promover e expandir a fé de Cristo e incrementar a exploração económica. A população portuguesa do Reino apresentava uma expressão diminuta para poder atender, simultaneamente, as exigências de povoamento das imensas terras, sob o domínio português, espalhadas por esse Mundo fora: Brasil, Índia, Angola, Moçambique, ... .[9]
Nesta perspectiva, qualquer projecto para o povoamento das Ilhas, pelas reduzidas dimensões e importância geo-estratégica destas, relativamente à ilha de Moçambique ou aos Rios de Sena, tinha, à partida, menos viabilidade de concretização. Mesmo assim não deixaram de ser elaborados projectos para solução do problema do despovoamento das Ilhas, da responsabilidade das autoridades de Moçambique, que, como os restantes propostos para pontos nevrálgicos de Moçambique, tiveram sempre como resposta o esquecimento ou o constante adiamento.
Durante o século XVI, segundo indicações de Frei João dos Santos, o fluxo migratório tinha origem no Reino, mas com a escassez da sua população face às múltiplas exigências da colonização pluricontinental, essa fonte seria complementada e, com o decorrer do tempo, reforçada com gente provinda do Oriente.
A análise de alguns testemunhos chegados até aos nossos dias - mestiçagem, ruínas de antigos edifícios e documentos escritos - demonstra terem as Ilhas sido povoadas, pelo menos durante o século XVI e parte do XVII, por Portugueses, numa primeira fase, vindos do Reino (os denominados reinóis) e, posteriormente, da Índia.
Em 1609 estavam povoadas 18 ilhas do arquipélago das Quirimbas, número significativo, nunca mais atingido. Por volta de 1630 a população portuguesa casada calculava-se entre 30 a 40 pessoas.[10]
Dessa longínqua e áurea época há referências ou vestígios de edificações portuguesas em diversas ilhas: uma igreja[11], na Amisa; uma fortaleza[12] e um convento[13] , em Macaloé; uma igreja e uma capela[14], em Querimba; um convento e cisternas, no coral[15] , em Quisiva. Para além dos símbolos religiosos referidos, os Portugueses construíram as capelas de Santo António, em Mulúri e M'funvo; de São Domingos, em Macaloé; de São Miguel, em Matemo; de Nossa Senhora da Graça, em Bringano; e Santa Ana, em Arimba[16] . Teriam sido abandonadas por serem desnecessárias "aos filhos da terra porque em religião e bons costumes são virtuosos (...) os cafres"[17] .
Depois destas indicações, surgia anos mais tarde, a Relação de 1776, em que, pela primeira vez, se encontram sistematizadas as naturalidades dos moradores das Ilhas, mas ainda limitadas aos cristãos. A distribuição dessas naturalidades, por idades, mostram que uma maioria significativa dos moradores era natural das Ilhas, ou seja, 88,99% havia nascido nelas e apenas 11,11% vieram ao mundo em terras diferentes, uma próximas, outras distantes, nomeadamente, ilha de Moçambique, Reino (todos de Lisboa, excepto um, que nascera no Porto) e possessões portuguesas da Índia. A maior percentagem pertencia aos naturais do Reino, provavelmente, militares cujas idades se coadunavam com o desempenho destas funções.
A descrição das terras de Cabo Delgado pertencentes à Coroa, de 26/11/1801, integrada nas Tábuas estatísticas, elaboradas, em 1807, pela Capitania Geral de Moçambique e remetidas a Lisboa, indicava que das 28 ilhas que compunham as terras de Cabo Delgado, não considerando ilhéus, apenas quatro eram habitadas, a de Fumbo, Querimba, onde estava a paróquia, a do Ibo, onde se sediava a residência dos Governadores e a de Matemo, acrescentando:
 
"...As ilhas que foram habitadas e presentemente se acham desabitadas são a Amisa, que foi antigamente paróquia e residência dos Governadores, Tucomage, Longue, Queriamimbi, Quifuque, Mutundo, Xanga, Munho, Minge, Macaloé, Inhate, Quifula, Mutundulo, Quisiva e Quipaco. As ilhas que foram sempre desabitadas são Insunhe, Jumba, Tembuzi, Querianhunhe, chamada ilha dos Pássaros, Mejumbi, chamada ilha dos Mastros, Quissanga, Queriauni, chamada ilha das Rolas, Samucar e Quilaluia".
 
Em todas as ilhas habitadas e depois desabitadas, os vestígios de presença humana era, ainda, visível através das "ruínas dos edifícios antigos de casas de pedra e cal que houveram"[18].
Também a Relação das Ilhas, datada de 1817, para além das ilhas então povoadas e despovoadas, indica os vestígios existentes, demonstrativos de terem algumas delas já sido povoadas, algumas com vestígios de intenso povoamento, como as da Amisa, Macaloé, Matemo, Querimba e Quisiva[19].
Nogueira de Andrade ao descrever as Ilhas, em 1789, argumenta poderem "as Ilhas sustentar grandemente mais de 500 famílias de que elas muito carecem. Então o seu despovoamento era uma realidade:
 
(...). Foram (...) bem povoadas, tiveram bons edifícios de pedra e cal e agora jazem na mais lamentável ruína e abatimento originado pelas repetidas invasões que os arábicos lhe fizeram, roubando, matando e destruindo quanto ali havia, de modo, que todos os moradores as desertaram, passando-se uns a Moçambique e outros para Goa e alguns outros fizeram as suas residências nos matos aonde acabaram a vida. Ficaram pois estas Ilhas despovoadas de brancos ...[20].
 
As autoridades coloniais portuguesas de modo a atenuar a presença incómoda e prejudicial de outros europeus, especialmente, franceses, verificada a partir do 1º quartel do século XVIII, em Moçambique, mas, especialmente, nas Ilhas, começaram a preocupar-se com o problema do seu povoamento, então, deveras escasso, e a sensibilizar o Reino para a sua solução.
Confirmando notícias alarmantes anteriores, remetidas de Moçambique para a Índia, sobre o estado caótico[21] das terras do norte da baía de Pemba, as mais altas autoridades portuguesas, na costa oriental de África, viriam a propor, depois da separação político-administrativa daquelas duas possessões, um conjunto de medidas capazes de ultrapassar tão grave problema como era o da ocupação humana das Ilhas, crucial para a sua manutenção sob o domínio português.
No âmbito desta perspectiva, seriam submetidos à Corte, em Lisboa, em 1753 e 1758, dois projectos de colonização, que previam a vinda, para as Ilhas, de povoadores do Reino e de Macau.
Na primeira proposta, o Capitão General[22] afirmava, sem rodeios, estarem as Ilhas, algumas de bastante grandeza, em total desamparo, encontrando-se umas desertas e outras povoadas de gente moura e cafre, havendo, apenas, alguns cristãos da terra e em todas 5 portugueses.
Esta situação contrastava com outras bem distintas e diferentes, existentes num passado não muito distante, caracterizada por aquela autoridade superior.
 
 "... Não havendo muitos anos que ainda havia nelas algumas casas ricas e muitas de suficiência e grandeza e hoje não há mais do que ruínas".
 
Pretendia-se, para além da conservação e desenvolvimento do comércio, restabelecer o tipo de povoamento, europeu ou indiano, existente no século XVI, que mais garantias políticas oferecia à presença portuguesa.
Consideradas frutíferas, desde que cultivadas e povoadas, poderiam albergar pelo menos 50 famílias, pelas quais seriam divididas as melhores ilhas.
As terras a distribuir seriam aquelas que já estavam repartidas pelos poucos moradores que nelas viviam, e muitas delas abandonadas.
De realçar algumas preocupações da parte dos detentores do poder político, relativamente, aos colonos que, implicitamente, estavam relacionadas com o êxito desejável do projecto.
Para além da ajuda económica, dá-se especial atenção ao trabalho físico a prestar por europeus nas zonas tropicais[23] Este bem intencionado projecto não foi levado à prática e anos mais tarde, outro responsável[24] pelos destinos de Moçambique, depois de reformulado, voltaria a apresentá-lo e a submetê-lo ao veredicto régio. Agora com um âmbito mais vasto, em que as Ilhas eram apenas uma das partes.
As propostas apresentadas eram claras e os resultados a alcançar com a sua execução eram precisos:
 
 "Os Rios de Sena, Sofala, Inhambane, Ilhas de Querimba e esta de Moçambique estão totalmente sem moradores e como um dos meios porque se deve procurar o aumento das terras é de gentes que as povoem, V.M. se sirva de mandar dar providência a concorrência delas, para que sendo numeroso o concurso e estabelecimento de habitadores, o seja por consequência vantajosa a utilidade de V.M.".
 
Este governante consciente das dificuldades e limitações demográficas do Reino, tão enfraquecido de homens, para fornecer colonos às várias conquistas e depois de convenientemente informado, viria a propor a Ásia- Macau e Bombaim- como alternativa à Europa, como fornecedora de povoadores e um ponto de partida de um novo fluxo migratório.
Nesta opção teve-se em consideração a preponderância de factores, como: a mais fácil aclimatação de gente já adaptada às condições naturais das regiões quentes e húmidas; as dificuldades relacionadas com a demografia do Reino; e as maiores despesas com o transporte de colonos deste provenientes.
O projecto mantinha todas as condições oferecidas, atrás referenciadas, quanto às despesas com o sustento e transporte e à distribuição de terras. Apenas se acentuava a necessidade desta já estar concluída à data da chegada dos novos povoadores. Para além das terras da coroa vagas, considerar-se-iam também as que estavam na posse de senhorios, todos apelidados de mercenários, que pelo poder que elas lhe conferiam, eram considerados "orgulhosos, desobedientes e dissolutos".
Apesar do Conselho Ultramarino ser da opinião de que se tratava de uma providência acertada e da maior conveniência, a proposta, mais viável de que a anterior e tal como ela, não se materializou.
Muitas terão sido as razões para que tal sucedesse. Ainda que não expressas, algumas delas estariam relacionadas com a posse da terra. Qualquer dos projectos implicava a redistribuição de terras já emprazadas, muitas delas a eclesiásticos ( dominicanos) e outras pessoas de grande prestígio e grande influência na ribalta política. Punham em jogo interesses, suficientemente, poderosos para fazer cair por terra qualquer bem intencionado e funcional projecto de povoamento e colonização[25].
A situação provocada pela falta de gente não melhoraria e a comprová-lo estão os sucessivos testemunhos que os poderes públicos deixariam expressos em vários documentos oficiais. A pouca existente, ia abandonando as Ilhas, tornando-as agrestes e desertas [26], embora se reclamasse a el-rei "habitantes, sem escrúpulos do clima, pois gozam de um ar excelente"[27] destinados à agricultura, e famílias para desenvolver o comércio, "pois sem gente não pode haver trato de qualidade"[28].
Os governantes representantes da soberania portuguesa defendiam, então, "que a indigência em que estavam os seus habitantes pouco progresso poderão fazer, muito principalmente, por falta de população portuguesa ... . "[29].
Nos finais do século XVIII, antes do início dos ataques perpetrados por corsários franceses,  Sakalava de Madagascar e Makhwa, a situação nas Ilhas era deveras deplorável, encontrando-se "totalmente despovoadas de habitantes e algum que nelas existem são pobríssimos, miseráveis e que, ainda que suprirem as primeiras necessidades, não têm posses para o fazer"[30].
Com os sucessivos ataques e saques que sofreram, por acção daqueles povos, no voltar do século e nos anos seguintes, as Ilhas e as suas terras firmes iriam, por um lado, ficar "cada vez mais desertas por não haver sujeitos para se estabelecerem"[31], apesar da disponibilidade de raparigas e viúvas que não se casavam por falta de homens, a qual deveria ser colmatada pela vinda de "alguns sujeitos capazes"[32] quando houvesse oportunidade. Por outro lado, "baldias sem estabelecimento algum"[33] por muitos dos seus habitantes, uns terem "sido levados pelos Sakalava e outros desertado para o interior do sertão vivendo como cafres"[34] para não serem prisioneiros e depois vendidos como escravos. Status quo ainda constatado uma década depois das últimas incursões[35]e se prolongaria por todo o século XIX.
(Continua)
publicado por ilhaskerimba às 18:48
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A ILHA DO IBO HISTORICAMENTE MALTRATADA(I)

 

 

 

 
 

 

 

 
 
 
 

 

 
MEMÓRIAS DE CABO DELGADO
 A ILHA DO IBO HISTORICAMENTE MALTRATADA
 
Carlos Lopes Bento[1]
 
Nas minhas viagens pelo espaço da Net,  sobre a  encantadora ilha do Ibo, uma das jóias do arquipélago da Querimbas, detentora de um invejável e riquíssimo património histórico-cultural, encontrei alguma informação, distorcida e contraditória,(por mim assinalada a negrito) que está longe de ser verdadeira e de corresponder à realidade dos factos:
 
A Ilha do Ibo foi ocupada pelos Árabes, a quem se atribui a construção da Fortaleza de São João Baptista e dos Fortins existentes na Vila.
 
Em 1834 chegaram à ilha os primeiros portugueses, na sua maior parte, professores e funcionários.
 
Em 1860, a Administração Colonial do Ibo registou uma população de 20 339 falantes de Kimwani, língua usada pelos povos de Quissanga a Mocímboa da Praia.
 O aumento da população Mwani, no Ibo e em todo o litoral deveu-se ao apogeu da expansão comercial estrangeira que remonta a finais do século XVII e princípios do século XVIII, como resultado da proliferação, em larga escala, do tráfego de escravos, para o qual contribuíram as Ilhas do Arquipélago das Quirimbas e, sobretudo, a Ilha do Ibo e de Quisiva, onde foram montados entrepostos comerciais do chamado negócio negro, assim como à presença massiva dos portugueses entre os séculos XVIII e XIX, depois que a Colónia Ultramarina de Moçambique passou a ser administrada através da Companhia Majestática do Niassa.
Nos finais do século XIX, os territórios de Cabo Delgado passaram a ser directamente administrados pelo estado Colonial.”
 
Fortaleza de S. João Baptista
 
Segundo alguns autores foi construída em 1760, sendo restaurada em 1813, após ter sido queimada pelos sacalaves. Construída em pedra talhada ainda conserva peças de artilharia. Em forma de estrela foi uma obra militar de vulto.
 
Na época tinha espaço para acomodar mais de 300 praças, armazéns de víveres e munições. Sobreviveu aos ataques dos holandeses e dos sacalaves de Madagáscar.
 
Na decadência do império português transformou-se em prisão política. Foi restaurada e pode ver-se ainda a capela, latrina dos presos com cinco buracos, a cozinha, a sala do interrogatório no tempo da Pide onde se lia numa das paredes: entra vivo, sai morto.
As duas portas por onde entravam os escravos e uma porta bem escondida nas traseiras onde Vasco da Gama ia buscar os escravos. Actualmente é utilizada pelos ourives da ilha onde fazem os colares e os vendem. Será preparado para funcionar como museu da ilha.
 
Fortim de S. José
 
O primeiro dos três a ser erguido. Construído em 1760 para defender a ilha dos ataques dos invasores franceses e Madagáscar. Também serviu de prisão civil.”
 
***************
 
É conhecida a importância da História na divulgação das potencialidades turísticas de determinada cidade, vila, lugarejo, com realce para as que estão relacionadas com o seu Património Cultural: arquitectónico, natural e histórico.
As várias entidades, responsáveis pela promoção e divulgação das potencialidades da sua realidade paisagística, têm de ser rigorosas na caracterização do produto turístico ofertado, que deve ser feita de acordo com a realidade dos factos, sejam eles de ontem ou de hoje.
Mas nem sempre as coisas se passam assim. Por vezes, por ignorância ou por razões de outra natureza, divulgam-se dados históricos sem fiabilidade, que não só desfavorecem o desenvolvimento turístico, como também enganam os estudiosos ao fornecer-lhes informação pouco fidedigna.
 
De seguida, mostrarei o que nos dizem as fontes documentais, a maioria delas de natureza primária, sobre cada um dos pontos controversos apontados:
 
“Fortim de S. José
 
O primeiro dos três a ser erguido. Construído em 1760 para defender a ilha dos ataques dos invasores franceses e Madagáscar. Também serviu de prisão civil.”
 
 
A Ilha do Ibo foi ocupada pelos Árabes, a quem se atribui a construção da Fortaleza de São João Baptista e dos Fortins existentes na Vila.
 
Fortaleza de S. João Baptista
 
Segundo alguns autores foi construída em 1760, sendo restaurada em 1813, após ter sido queimada pelos sacalaves. Construída em pedra talhada ainda conserva peças de artilharia. Em forma de estrela foi uma obra militar de vulto.
 
Na época tinha espaço para acomodar mais de 300 praças, armazéns de víveres e munições. Sobreviveu aos ataques dos holandeses e dos sacalaves de Madagáscar.
 
Na decadência do império português transformou-se em prisão política. Foi restaurada e pode ver-se ainda a capela, latrina dos presos com cinco buracos, a cozinha, a sala do interrogatório no tempo da Pide onde se lia numa das paredes: entra vivo, sai morto.
As duas portas por onde entravam os escravos e uma porta bem escondida nas traseiras onde Vasco da Gama ia buscar os escravos. Actualmente é utilizada pelos ourives da ilha onde fazem os colares e os vendem. Será preparado para funcionar como museu da ilha.
 
 
A construção das três fortificações militares- Fortim de S. José (1764), Fortaleza de São João Baptista(1789-1794) e Forte de Santo António(1818)- edificadas na Vila do Ibo e chegadas aos nossos dias, deve-se aos Portugueses. No tempo em que foram erigidas, os Árabes apenas visitavam o porto do Ibo como mercadores.
 
Fortim de S. José
 
Foto de C.Bento. 1972
 
Comecerei por fornecer alguns dados sobre o Fortim de S. José, que não foi construído para defender a ilha do Ibo dos ataques dos Franceses, que viriam a ser perpetrados em 1796, nem nunca foi queimado, nem tão pouco atacado pelos Sakalava. Estes, apenas, invadiram a ilha do Ibo, no ano de 1815, tendo, então, mas sem êxito, procurado tomar a Fortaleza de S. João Baptista.
As razões principais da sua construção formam as que de seguida se enumeram.
As autoridades de Moçambique e da Índia, a partir do primeiro quartel do século XVIII, face ao constante aumento de interesse dos Franceses e Ingleses por Moçambique[2], excelente território para o fornecimento, em condições vantajosas, de escravos, começaram a preocupar-se, seriamente, com as Ilhas de Querimba e com a sua defesa, uma vez que estava em jogo a segurança da capital da Capitania Geral, então sediada na ilha de Moçambique, e demais portos da sua jurisdição.
As ditas Ilhas que, até então, tinham constituído uma eficaz e firme barreira, pelo norte, do restante território sob o domínio português, encontravam-se, nos meados daquele século XVIII, sem qualquer fortificação digna desse nome e "em tais termos que é providência grande de Deus não se ter inserido nelas alguma nação estrangeira, mui, especialmente, naquelas que ficam mais a norte, vizinhas de Cabo Delgado, por lá não residir homem branco algum e aqueles cafres serem de condição de amigos de novidade ..."[3]
Receava-se a sua perda e, com a sua queda, de todo o território moçambicano. Para ultrapassar esta fase crítica, o Governo da Índia fizera saber a Lisboa da conveniência de "fortificar-se alguma das Ilhas para ao menos se arvorar uma bandeira da nação, porque de não a haver, tomam os Franceses pretexto para entrar nelas"[4]. As suas condições eco-geográficas limitariam essa escolha, pois, nem todas poderiam "ser fortificadas por não haver nelas portos capazes de ancorarem navios e, somente, na Ilha do Ibo há uma grande baía de fundo para todo o lote de naus e junto a ela uma coroa de areia capaz de fortificação, a qual se deve erigir e por nela um capitão-mor com guarnição (...), porque doutra sorte se virão a perder e por ali entrava primeiro a ruína desta conquista toda"[5].
Reconhecia-se a importância e a necessidade urgente de uma obra de defesa, indispensável para proteger a barra do Ibo, manter o respeito dos habitantes ao seu Governador, conter "os diferentes régulos da terra firme com que avizinham, de cujo comércio dependem inteiramente as mesmas Ilhas"[6]. Mas mais do que essa obra, procurava implantar-se novos símbolos que aos olhos das populações locais, submetidas ou não, e dos estrangeiros, demonstrassem mais autoridade, poder e força.
Os levantamentos prévios da área pareciam apontar para a escolha da ilha do Ibo, que era aquela que oferecia melhores condições para a implantação de uma fortaleza.
Por influências de moradores locais ou por outras razões, para as quais, por agora, não se encontram explicação, optou-se pela ilha de Matemo, que com as ilhas do Ibo e Querimba forma uma enseada e um surgidouro, sendo o mais capaz e mais seguro o situado "entre a Ilha do Ibo e a terra firme porquanto todo o fundo é limpo de pedra e consiste o fundo de areia e erva"[7].
As Instruções provenientes de Moçambique não deixavam quaisquer dúvidas, ao determinarem que na parte sul da ilha de Matemo deveria ser erigida "uma fortificação no melhor terreno e paragem que achar para defender a entrada da barra", sendo suficiente que dispusesse de "uma bateria sobre o canal, que o defenda, capaz de sete ou oito canhões e algum fogo nos lados quanto baste a fazê-la defensável e com a capacidade de ter dentro dos quartéis, para água da guarnição (...) cisterna ou poço de que beba"[8]. Para as Ilhas e segundo as mesmas Instruções, foi mandado, expressamente, o Capitão Engenheiro António José de Melo com a missão de examinar:
 
1- O local mais vantajoso para a nova fortificação;
2- Se no mesmo local existia pedra para a construção e da qual também se pudesse fazer cal, de modo a evitar as despesas de transporte de Moçambique e, igualmente, se havia lenha perto para os fornos de cal;
3- Da existência de ostras na marinha próxima ou de pedra do mar, que localmente é designada por momba de que se faz a melhor cal, devendo na recolha de informação para além de ver, ouvir as pessoas práticas das Ilhas e o Juiz delas;
4- O fundo existente entre os canais que separam as diferentes ilhas, elaborando um Mapa de todas elas em que esteja desenhada a fortificação projectada na ilha de Matemo, como também de toda a costa que corre até Moçambique.
Os trabalhos topográficos e hidrográficos executados na área levaram à conclusão de que a "fortaleza deve fazer-se na ilha do Ibo porque fica mais próxima ao canal do que a de Matemo"[9], que não tem barra capaz.
A este contratempo, outros se iriam somar, que seriam responsáveis pelo atraso no início das obras. Apesar de facilitadas, pela existência próxima de pedra, tanto para as fundações e paredes como para o fabrico de cal, elas não arrancariam pelo facto de não haver oficiais em Moçambique e os 20 recrutados em Damão e Diu[10] tardarem a chegar.
Mas as coisas, em vez de se tornarem fáceis, complicavam-se. O Conselho Ultramarino solicitava a Moçambique, em 23/5/1758, Parecer sobre as fortificações levantadas e por levantar nos portos da costa de Moçambique. Em resposta o Capitão General, no que respeitava às Ilhas de Querimba, prestava uma informação que parecia contrariar todas as expectativas até então existentes. Pura e simplesmente manifestava a opinião "de que na Ilha do Ibo, cuja barra é capaz de nela entrar toda a sorte de embarcações (...) não deve haver fortificação". Como fundamento para a sua argumentação apontava como principais causas:
 
· a falta de verbas para suportar as despesas necessárias e não ser possível recorrer-se a empréstimos indispensáveis para as despesas ordinárias, por não haver, baneanes ou moradores, que os possam ou queiram fazer a El-Rei de Portugal;
· a escassez de efectivos militares para a defesa de qualquer ofensiva do inimigo e a impossibilidade de ser socorrida, com êxito, de Moçambique, devido à distância e aos ventos, por vezes, contrários, levariam a sua queda, dando-se assim ao adversário uma "casa segura" à custa de erário público;
· a sua queda viria a ser a ruína do resto do território por a praça de Moçambique passar a ter por vizinho um poderoso inimigo que não se limitaria ao domínio das Ilhas mas intentaria alargá-lo a horizontes mais vastos;
· e, finalmente, a posse das Ilhas por qualquer nação europeia, representaria a perda do comércio dos Yao[11].
 
Tratava-se de uma construção dispendiosa para as débeis disponibilidades financeiras da Fazenda Real, apenas possível, com a ajuda dos foreiros e demais autoridades auxiliares e respectivas escravaturas.
As opiniões continuavam a divergir, e à tese dos que defendiam a não construção de uma fortificação, como meio de manter e conservar as Ilhas "debaixo do domínio português", juntava outra, segundo a qual seria suficiente, para fiscalizar o porto de desembarque, uma guarnição militar e o levantamento de "uma faxina, com parapeito de mar, de pedra, sobre o canalzinho que está na ponta da Ilha e de onde, somente, possam laborar 5 peças de calibre 18 e juntamente se arvorará um pau de bandeira"[12].
A antiga ideia da construção de uma obra de defesa vem a ser concretizada quando da implantação da Vila do Ibo, no ano de 1764.
O Governador José Caetano Júdice incumbido dessa missão, entre as muitas obras que mandou edificar, contam-se "um forte em redentes a que se deu o nome de Santa Bárbara em que se assestou a artilharia que há nesta Vila e estava quase inútil, por se achar sobre a terra sem plataforma e em sítio onde não podia produzir o efeito que tanto é preciso e se requer do seu exercício"[13]. A vila do Ibo ficava deste modo, "com alguma defesa, assim para a entrada do rio como depois, sendo entrado pela figura como o dito forte está construído que pode jogar a sua artilharia, para uma e outra parte sem grande trabalho"[14].
Para assinalar e marcar mais rigorosamente o prestígio e a presença lusíada nestas paragens do Indico, o dito Governador "logo junto ao forte teve o honorífico trabalho e honra de arvorar a Bandeira de El-Rei Fidelíssimo de Portugal Nosso Senhor, com sua mestra de pedra e cal no extremo inferior do pau de bandeira, para segurança dele"[15], não se esquecendo da protecção dos seus defensores ao construir "em um ângulo da mestra, uma guarita, também de pedra e cal, com as suas fendas ou frestas, para abrigo e vigia da sentinela"[16].
As obras iniciadas depois de Junho de 1764 viriam a ser concluídas, no mês de Dezembro, desse mesmo ano.
Este pequeno forte, mais tarde, denominado de S. José, que demora a SW da Ilha, junto ao porto de cabotagem e de pesca, construído a pedra, terra e cal, mede 3,49 m de altura, tendo de parapeito 1,50 m.
Estava artilhado, em 1810, com 1 peça de calibre 3, 1 de calibre 4 e 1 de calibre 6, a que se juntava mais a artilharia de campanha (incapaz), constituída por 1 peça de calibre 2 e 2 peças de calibre 3[17]. Nos meados do século XIX continuava guarnecido com 7 bocas de fogo, de ferro[18].
Teve, com o decorrer do tempo, funções militares, de cadeia e de alfândega.
(Continua)

[1] -  Antigo administrador dos concelhos dos Macondes Ibo e Porto Amélia (actualmente Pemba) é doutorado, em Ciências Sociais e Políticas, especialidade História dos Factos Sociais e licenciado em Ciências Antropológicas e Etnológicas pelo I.S.C.S.P., da Universidade Técnica de Lisboa. Foi professor coordenador do Instituto Superior Politécnico Internacional e professor catedrático convidado, da Universidade Internacional. Interessa-se pela Antropologia Africana- Moçambique e pela Antropologia Portuguesa, domínios do turismo e do comportamento organizacional. Faz investigação no domínio da cultura alimentar- Culinária tradicional. É sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, fazendo parte da sua Direcção e de algumas das suas Comissões e Secções.
[2]- C.E.H.U., LM-115-44, fls.179, Inquirição de Testemunhas iniciada a 20/5/1742 pelo Juiz das Ilhas de Cabo Delgado acerca de comércio e entrada de navios estrangeiros nas Ilhas.
[3]- A.H.U., Doc. Av. Moç. Cx. 6, Doc. 14, Carta do Cap. Gen. para o Reino, de 11/10/1745.
[4]- C.E.H.U., Idem, Carta de 14/8/1742, fls. 169 e segts., em que o Cap. Gen. expõe a Goa o problema das Ilhas de Cabo Delgado, dos Franceses e do Comércio da Conquista; Carta de 4/8/1753, do Cap. Gen. para V. Rei da Índia, Códice 1310, fls. 14v.
[5]- A.H.U., Doc. Av. Moç., Carta de 10/11/1745, p. 8.
[6]- Idem, Ibid, Cx. 10, Doc. 45, Carta de 16/8/1755, em que o Cap. Gen. descreve, à Corte, a situação das fortalezas de Moçambique.
[7]- B.N., Códice 617, cit., fls. 13v. O Capitão da Fragata levava ordens expressas para fazer "certa diligência nas Ilhas de Querimba" e para esse efeito se chegaram "para elas para melhor as conhecer". É bem provável que esse reconhecimento estivesse ligado à construção da futura fortificação.
[8]- A.H.U., Códice 1310, que contém as Instruções para o Levantamento da Fortaleza da Matemo, de 21/7/1753, dadas ao Cap. Engº António José de Melo, fls. 6, e Carta de 22/7/1753, do Cap. Gen. para o Cap. das Ilhas.
[9]- Idem, Doc. Av. Moç. Cx. 8, Doc. 41, Carta de 20/11/1753, do Cap. Gen. para a Corte. Junto com esta Carta remete-se uma planta cartografada das Ilhas e uma planta onde está desenhada a Fortificação a fazer no Ibo, que não se encontrou; Ver também Cartas de 21/11/1753, Cx. 8, Doc. 44 e de 27/12/1753, Cx. 9, Doc. 18.
[10]- Idem, Códice 1310, Carta do Cap. Gen. para o Cap. das Ilhas, de 23/5/1754; Doc. Av. Moç., Cx. 10, Doc. 30, Carta de 17/11/1754, do Cap. Gen. para o Reino, que volta a informar ter no ano de 1753 sido enviada a planta da fortaleza a construir no Ibo.
[11]- Idem, Ibid, Cx. 15, Doc. 63, Carta de 30/12/1758,cit . do Cap. Gen. para Lisboa e também no Arquivo das Colónias, Vol. IV, 1919, fls. 76 e 77. O Parecer do Cap. Gen. mereceu a concordância de El-Rei de Portugal (Carta de 13/8/1760, do Cap. Gen. para Cap. das Ilhas, Cx. 18, Doc. 56).
[12]- Idem, Doc. Av. Moç., Cx. 24, Doc. 23, Carta de 12/1/1764, do oficial comandante do Destacamento Militar do Ibo para Moçambique.
[13]- A.H.U., Doc. Av. Moç., Cx. 24, Doc. 84, Certidão de 20/12/1764, em que os vereadores da Câmara da nova Vila de São João do Ibo e os moradores cristãos mais notáveis atestavam, com juramento dos Santos Evangelhos, a acção e as obras levantadas na Vila pelo Governador Caetano Alberto Júdice desde a sua chegada, que, como foi referido, teve lugar a 16 de Junho de 1764.
[14]- Idem, Ibid, fls. 1 e 1v.
[15]- Idem, Ibid, fls. 1v. Até esta data segundo indicação do dito Governador não havia Bandeira Real nas Ilhas (Cx. 25, Doc. 73, Carta de 11/11/1765).
[16]- Idem, Ibid, fls 1v.
[17]- Idem, Ibid, Cx. 133, Doc. 84, Carta nº 440, de 31/7/1810, do Cap. Ilhas para Moç..
[18]- ROMERO, op. cit., p. 10 e VILHENA, E., Relatórios ..., cit., p. 212. Para mais pormenores ver: MENESES, José Guedes de Carvalho, Relatório do Governador- Geral de Moçambique de 1875. Lisboa, I.N., 1878, p. 177, onde se dá "Notícia acerca dos Edifícios e Obras Públicas no Distrito de Cabo Delgado".
 
publicado por ilhaskerimba às 18:47
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