Quinta-feira, 26 de Março de 2009

GEOGRAFIA E ECOLOGIA

 

 

 AS ILHAS DE QUERIMBA: GEOGRAFIA E ECOLOGIA(RESUMO)
 
No litoral mais setentrional de Moçambique e no canal do mesmo nome, entre os rios Rovuma (11° 20' Lat. e 38° 36' Long.) e a baía de Pemba (13° 05'Lat. e 42° 32' Long.) está situado o arquipélago das Querimbas ou de Cabo Delgado.
 
 
 
Distando cerca de 70 léguas da ilha de Moçambique e com uma extensão aproximada de 40, as ilhas do arquipélago, em número de 3 dezenas, estão dispostas em forma de rosário, formando de Cabo Delgado para sul um longo e temeroso paredão, paralelo às terras firmes, estando destas afastadas, em média, cerca de 10 milhas.
Segundo o Governador do distrito  José Cristiano de Almeida(Relatório de 20.7.1881), "compõe-se o arquipélago de Cabo Delgado de 29 ilhéus, não falando nos baixos e coroas de areia, que são muitos, a saber: Sito, Quipaco, Quiziva, Fumbo, Calaluia, Samucar, Quirimba, Ibo, Matemo, Rolas, Molandulo, Inhate, Macalué, Mastros, Changa, Zanga, Minhuge, Timbusa, Namego, Zuno, Luamba, Gundo, Mistunso, Numba, Quia, Amiza, Caiamimo, Longa e Ticoma. Estão estes ilhéus pela maior parte desabitados, vendo-se ainda todavia nalguns deles, como Quiziba, Macalué, Amiza, Namego, & ruínas de igrejas, de grandes casas e cisternas, e bem assim vestígios de muitos alicerces e poços dos tempos antigos, em que foram povoados: contribuindo principalmente para que não o estejam hoje a má qualidade da água em uns, e a falta dela noutros. Os que actualmente se podem dizer permanentemente habitados são: Querimba, Fumbo e Matemo, fora o Ibo, onde está a vila do mesmo nome, capital do distrito, que conta uns 130 fogos (exclusivé as palhotas) e aproximadamente 2500 almas."
 
A ilha do Ibo, por ter sido capital dos governos subalternos e de distrito, de 1764 e 1929 e o principal porto de cabotagem, com Alfândega a partir de 1787, foi habitada por uma população mestiçada, biológica e culturalmente, com um modo de vida e situação social bem diferenciadas daqueles que se encontravam nas outras ilhas povoadas e nas terras firmes.
 
Ao estado de anarquia provocado por esta barreira natural, recortada por tortuosos canais, há a acrescentar as correntes marítimas, violentas e desordenadas, que aí circulam, como resultado dos efeitos da corrente equatorial, das monções e das marés, que foram factores determinantes nos tipos de  navegação costeira praticada e das embarcações utilizadas.
 
Próximas umas das outras, menos de uma dezena de milhas, todas as ilhas são de pequena dimensão, destacando-se as de maior superfície, as de Matemo, Quirimba, Amisa, Ibo e M'funvo.
 
Orograficamente, são caracterizadas por pequenas altitudes que oscilam entre os 4 e 30 metros. Mas a maioria delas não ultrapassa a cota da dezena de metros.
 
Os seus contornos variam entre as formas "oval ou oblonga" da Querimba, "triangular" das Tikomagi, Mahato e Rongwi "semicircular" da Matemo até à forma "adelgaçada e prolongada" como as de Amisa, Quifuqui e M'tundo e "quase quadrangular" do Ibo
 
Na linha do litoral que lhe fica adjacente, bastante recortada, encontramos acidentes geográficos, dos quais destacamos: vários cabos, baías e barras.
 
A costa, em direcção ao interior, numa extensão de 50 Km, é baixa, não se elevando acima dos 60 metros.
 
Nas ilhas não existe qualquer curso de água e nas terras firmes adjacentes, com algum significado, apenas temos dois rios: o Messalo e o Montepuez.
 
O clima pode classificar-se, de grosso modo, como um clima tropical sub-húmido, sujeito ao regime das monções, responsável, em longa medida, pelas duas estações anuais distintas - a das chuvas que vai de Novembro a Março e a seca que corresponde aos meses de Abril a Outubro - caracterizadas por uma distribuição pluviométrica desigual e irregular ao longo do ano (aproximadamente 700 mm/ano).
  
Os solos das ilhas são constituídos, essencialmente, por rochas corálicas, areia e alguns húmus resultante da fraca vegetação arbórea que as cobre.
 A natureza dos solos, conjugada com o regime das chuvas, tornaram as terras insulares pouco propícias para a agricultura. Excepção feita a parte da ilha de Querimba, em que predominam alguns solos de qualidade para aquela actividade.
                                                                        
 A economia do arquipélago  tinha como base alguma agricultura, maior parte dela praticada nas terras firmes ou morimas, a criação de gado (bovino, caprino e ovino) e de aves domésticas (galinhas e patos), a pesca (com grande variedade de espécies aquáticas, destacando-se, pelo seu valor económico, as ostras e as variadas conchas), a navegação e algum comércio. No passado, depois dos meados do século XVIII, até há menos de um século, pontificou o tráfico esclavagista.
 
A ilha do Ibo foi um dos principais principal bastiões da presença colonial portuguesa e a atestá-lo estão a fortaleza de São João Baptista (1789-94) e os fortes de São José (1764) e de Santo António (1818), que defenderam a ilha dos ataques dos franceses(1796) e livraram a sua população dos ataques dos Sakalava,- povo malgaxe-(1800-1817).
 
Pesquisa e texto de Carlos Lopes Bento, antropólogo e prof. univ. .
  
 

 

publicado por ilhaskerimba às 18:20
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